As juízas Elayne Cantuária e Carline Nunes, do Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP), participaram na última quinta-feira (20) do I Encontro de Juízas no Supremo Tribunal Federal (STF). O evento reuniu magistradas de 37 tribunais e órgãos do sistema de Justiça para debater obstáculos enfrentados pelas mulheres na carreira e propor medidas de equidade de gênero no Judiciário.
Na abertura, a ministra Cármen Lúcia, única mulher no STF, defendeu a transformação do debate em ações concretas. “É preciso estarmos todas na mesma página, com clareza sobre os desafios que enfrentamos, as denúncias que precisamos fazer e as propostas que devemos apresentar”, afirmou. Ela também destacou que, apesar dos avanços, ainda há barreiras estruturais: “Nós, juízas, temos o mesmo regime constitucional e o mesmo estatuto jurídico dos juízes, mas não somos tratadas igualmente”.
A juíza Elayne Cantuária avaliou o encontro como um espaço de escuta e construção coletiva. “Foi uma oportunidade muito significativa para conhecermos diferentes realidades e percebermos que muitos dos desafios enfrentados pelas magistradas são comuns em todo o país”, disse. Já a juíza Carline Nunes reforçou a necessidade de garantir igualdade de oportunidades ao longo da carreira: “Não basta ampliar a presença das mulheres. Precisamos garantir condições para que elas tenham as mesmas oportunidades de crescimento, participação e acesso aos espaços de decisão”.
Os debates incluíram a política de cuidados, com relatos sobre dupla e tripla jornada, e a necessidade de apoio institucional à maternidade e parentalidade. Também foram discutidas a ampliação da participação feminina em cargos de liderança, o fortalecimento de políticas afirmativas e a produção de dados sobre a realidade das magistradas para subsidiar ações de enfrentamento à discriminação e assédio.
Ao final, as participantes foram divididas em três grupos para elaborar propostas sobre paridade de gênero, visibilidade das juízas e uma Justiça mais acolhedora. Os encaminhamentos serão avaliados pela ministra Cármen Lúcia e levados ao presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin.
