Economistas e outros especialistas divulgaram nesta sexta‑feira (30) um manifesto que denuncia a pressão do mercado financeiro para que o governo Lula adote um programa de corte de gastos e propõe, ao invés disso, a tributação de altas rendas.
O documento, assinado por 50 profissionais, aponta que a chamada Faria Lima – centro financeiro de São Paulo – tenta impor um “terceiro turno” presidencial para que o presidente implemente o corte de R$ 190 bilhões defendido por Flávio Bolsonaro, candidato derrotado.
Os signatários afirmam que o problema da dívida pública está nos juros reais, que elevaram a dívida bruta a 82,9% do PIB em agosto, contra 71,7% em 2022, e que os pagamentos de juros consumiram mais de R$ 1,1 trilhão – 8,9% do PIB – superando em catorze vezes o déficit primário de R$ 82 bilhões.
O manifesto solicita a antecipação da tributação mínima de 10% para pessoas que recebem acima de R$ 600 mil por ano, conforme Lei 15.270/2025, e a revisão de isenções que somam R$ 612,8 bilhões, para gerar receita sem reduzir despesas sociais.
Também pede que o Banco Central mantenha a Selic em 13,75% ao ano, elimine a carência de 36 meses para mudar a meta de inflação e retome o centro de 4,5% – meta vigente de 2005 a 2018 – dando peso ao pleno emprego.
Outra proposta é substituir o atual arcabouço fiscal, excluindo dos limites de gasto público o investimento, o Bolsa Família, os pisos de saúde e educação, além de aportes nas estatais e no BNDES, argumentando que a regra de 2,5% de crescimento real das despesas e 70% da receita impede a reindustrialização e a transição ecológica.
O texto ainda critica declarações recentes do ministro da Fazenda, Dario Durigan, que defendem ajuste fiscal, alertando que repetir medidas de 2015 pode enfraquecer o apoio popular a Lula e tornar o governo vulnerável a um novo bloqueio parlamentar.
